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Os animais de estimação podem transmitir-lhe carinho, mas também problemas desagradáveis. Aqui vamos falar-lhe das zoonoses, as doenças que pode contrair pela sua companhia. Venha saber que doenças são essas, as espécies animais que atingem e como poderão manifestar-se em si!
Por Pedro Romão - Médico Veterinário

Cuidado com o cão !
No que diz respeito aos animais de estimação, o cão é o que mais facilmente pode contrair a doença. Devido aos seus hábitos de marcação territorial, comuns na espécie, os cães ficam bastante expostos à infecção devido ao contacto com urinas provenientes de outros cães infectados ou portadores. Ao contrário, a Leptospirose é uma doença rara no gato.
Diagnosticar a Leptospirose num cão poderá não ser fácil, pois os sintomas que surgem não são muito específicos. A infecção pode declarar-se de forma silenciosa, e o animal não exprime qualquer sinal que leve o proprietário ou o clínico veterinário a suspeitar da sua existência. Contudo, existem outros casos em que existem sintomas consistentes para uma confirmação laboratorial e consequente tratamento.
Nos cães, o agente da Leptospirose afecta vários orgãos, particularmente o fígado e os rins. Assim, além de o animal se apresentar febril, prostrado e com falta de apetite, poderá exibir pequenas pontuações encarnadas no interior da boca e na mucosa conjuntival. Nalguns casos, poder-se-á observar uma coloração amarelada nos mesmos locais, bem como na pele, sinal conhecido como icterícia. Por vezes, a infecção também se faz acompanhar de diarreia com a presença de sangue.
Leptospirose: O perigo dos roedores
A Leptospirose é uma doença de distribuição geográfica mundial que afecta uma vasta gama de mamíferos domésticos e selváticos, tornando difícil o seu controlo. O agente responsável pela Leptospirose parece ter-se adaptado muito bem aos seus hospedeiros, pois é frequente encontrar animais portadores da doença sem que manifestem quaisquer sinais clínicos. Associado a este facto, um animal portador pode eliminar agentes activos pela urina durante longos períodos. Uma vez eliminados para o meio ambiente, estes agentes são uma fonte potencial de contágio para outros animais e para o homem. Os roedores, principalmente os dos meios selváticos, constituem um reservatório importante do agente causal. A sua urina pode contaminar a água de charcos, barragens e até mesmo cursos de água.
Atenção às febres e dores musculares
No Homem, a Leptospirose também é conhecida como Doença de Weil. As manifestações clínicas são diversas e apresentam um carácter de gravidade variável.
Entre os vários sintomas, podem ocorrer os seguintes: febre, dores musculares, conjuntivite, náuseas, vómitos, diarreia, pequenas pontuações encarnadas na pele, podendo ocorrer icterícia ou não. Se os rins se encontrarem comprometidos, pode ocorrer uma diminuição do volume urinário emitido.
Como é que pode ser infectado?
Os roedores constituem um elemento-chave na epidemiologia da Leptospirose, pois perpetuam a presença do agente no meio ambiente. Através da sua urina podem contaminar o solo, alimentos e a água. Assim, o Homem pode infectar-se directa ou indirectamente. No primeiro caso, o contágio ocorre devido a um contacto directo da pele, principalmente se esta se apresentar ferida, e das mucosas nasal, oral ou conjuntival, com as secreções ou excreções do animal infectado. No segundo caso, servem como exemplo os casos de Leptospirose humana devido a actividades de lazer como a natação e outras actividades desportivas em lagos, barragens ou mesmo cursos de água. A infecção entre humanos é rara.
Não se esqueça de vacinar o seu cão
A vacinação dos cães contra a Leptospirose é uma prática corrente e instituída pelos Médicos Veterinários. Desde as primeiras vacinas às revacinações anuais, os cães adquirem defesas para combater a infecção. Contudo, se o calendário de vacinação aconselhado pelo veterinário não for cumprido, os cães ficarão susceptíveis.
Doença da arranhadela do gato
Esta doença, tal como o seu nome fortemente sugere, pode seguir-se a uma ferida provocada pelo gato, com as suas garras ou dentes, ao Homem. O agente ou agentes causais envolvidos não são perfeitamente conhecidos.
No gato, não existe qualquer sintomatologia, pois, independentemente dos agentes microbianos em causa, eles são e serão parte natural e residente da população microscópica que existe nas suas patas e cavidade oral. Assim, torna-se difícil abordar as medidas de controlo destes agentes no animal.
Esteja atento às crianças
De um modo geral, não é uma doença problemática, a sua evolução é benigna, a cura é espontânea e não deixa sequelas.
Podem decorrer entre 7 a 20 dias entre a agressão e a aparição dos primeiros sintomas. Ocorre um aumento do tamanho dos gânglios linfáticos localizados na axila, pescoço ou zona inguinal, dependendo da zona corporal atingida pela agressão do gato. Nalguns casos é ainda possível observar a lesão causada pelo animal, apresentando-se como uma ferida de difícil cicatrização.
Outros sinais clínicos, embora mais inespecíficos, incluem febre ligeira e de curta duração, falta de apetite e dores corporais. As crianças constituem 75% dos casos observados muito possivelmente devido ao modo despreocupado como interagem com os gatos.
Giardiose
Uma doença cosmopolita
A Giardiose é uma doença provocada por um parasita microscópico que infecta o intestino de vários mamíferos, incluindo o Homem, o cão e o gato. Embora seja muito mais frequente em países subdesenvolvidos, devido a deficiências e limitações sanitárias e de higiene básica, é uma doença cosmopolita.
Perigo nos cachorros e nos gatos jovens
Os cães e os gatos podem contrair a infecção através da ingestão de formas parasitárias eliminadas nas fezes de outros animais. Estas formas parasitárias, que não são visíveis a olho nu, podem manter-se viáveis no meio ambiente durante 1 a 2 meses. A Giardiose é mais frequente nos cachorros e gatinhos do que nos animais adultos.
A maioria das infecções são subclínicas, ou seja, não se fazem acompanhar de sinais clínicos evidentes. Quando há expressão de sintomas, após um período de incubação que dura entre uma a três semanas, os dominantes são os de gastroenterite, nomeadamente diarreia, flatulência e dores abdominais. Com menor frequência observam-se náuseas e vómitos. O período agudo da doença dura 3 a 4 dias, e, não havendo tratamento especifico, a Giardiose pode tornar-se crónica, expressando-se em episódios recorrentes de diarreia com eliminação de formas parasitárias para o meio ambiente.
Os aspectos clínicos desta doença nos humanos são muito semelhantes aos que se observam nos mamíferos acima mencionados.
Como prevenir?
A melhor prevenção é, de facto, evitar uma arranhadela ou uma dentada de um gato. Na infeliz eventualidade de tal acontecer, as feridas deverão ser bem lavadas e desinfectadas e deve-se dedicar atenção à forma como ocorre a evolução.
As crianças pois claro...
A existência de animais portadores, discretos, sem indicadores de infecção, que eliminam formas parasitárias infectantes nas suas fezes, aliada à resistência que os quistos parasitários oferecem às condições adversas do meio ambiente, são factores importantes na epidemiologia da Giardiose. Um animal ou um homem na fase aguda da doença podem eliminar nas fezes cerca de novecentos milhões de quistos parasitários por dia.
Para que um organismo se infecte pela primeira vez, serão necessários apenas 25 a 100 desses mesmos quistos.
As crianças são um alvo fácil da infecção, não só pelo contacto despreocupado com os cães e gatos doentes e/ou portadores, como também entre elas próprias. Assim, existe uma forma de contágio directo a partir de quistos parasitários de humanos ou de animais transmitidos das mãos à boca. Existe igualmente uma forma indirecta de contágio a partir de águas, particularmente as que não são submetidas a tratamento, e em menor grau por meio da ingestão de vegetais crus.
Higiene é fundamental
Durante as viagens a países onde as condições de saneamento sejam insuficientes, os turistas deverão abster-se de ingerir água de abastecimento corrente cuja pureza não possa ser garantida. Tais informações poderão ser obtidas nas consultas de Medicina dos Viajantes. Os cães e gatos que surjam com diarreia deverão ser observados pelo Médico Veterinário que avaliará a condição e, em caso de confirmação, instituirá o tratamento indicado. Igualmente importantes são as medidas de higiene, em particular nas crianças.
Não corra riscos!
Periodicamente, leve os seus animais de estimação ao veterinário. É que as doenças destes podem ter consequências muito desagradáveis no seu bem-estar

DESTAQUES:
1 - Os cães e gatos mais jovens podem ser facilmente infectados pelas fezes de outros animais. Seja cauteloso na sua higiene
2 - As crianças são pouco cuidadosas no relacionamento com os animais e por isso mais vulneráveis a infecções
3 - A Leptospirose transmite-se através da urina dos ratos. Esta contamina os alimentos e a água, provocando febres, vómitos e diarreias
Por Pedro Romão - Médico Veterinário .
 
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